a vida em sépia

sabe aquele sentimento clássico de saudade do que nunca viveu? pois é, ele é uma constante em minha vida. acho que tenho uma espécie de dispositivo no cérebro muito avançado, pronto a romantizar qualquer fase do mundo sobre a qual eu venha a ler.

mas nenhuma outra época se compara com a dos anos 50, 60 e 70. vejos as imagens em sépia, como nas fotos. isso me sugere uma brandura, uma quentura, uma espécie de tranqüilidade. mesmo que na realidade não fosse nada disso, pelo menos nos anos 60 e 70 (ditadura, oi). mas deixem-me sonhar.

penso calçadas iluminadas por um sol laranja, não aquele amarelo escaldante, mas aquele sol de fim de tarde, em frestas bem definidas, com uma brisa suave. aquela alegria de dia bem vivido, comendo frutas, uma carne bem feita, sucos, cerveja. aqueles assuntos aprazíveis, uma música sem todos os requintes da indústria pop, jornais amadores e, por isso mesmo, muito mais interessantes. penso o mar limpo, os rios limpos, o céu limpo, dava-se pra ver o sol ali ao longe, sem prédios no caminho. à noite, podia-se ver a lua, e até mesmo as estrelas, já que não as ruas não eram tão iluminadas. o cinema era um evento, coisa fina, e não cheio de pipoca esmagada no chão (cuidadosamente varrida para debaixo dos bancos nos intervalos). tudo parece tão simples, e tão fácil, e tão despreocupado. tão ingênuo, em uma palavra. mas ingênua sou eu, pensando assim sobre esses outros tempos.

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